
As
ossadas de 51 pessoas decapitadas encontradas no sul da Grã-Bretanha
em junho do ano passado foram identificadas como pertencendo a povos
vikings que habitaram o país na virada para o segundo milênio.
Desde
que a cova foi encontrada em junho de 2009, durante a construção de
uma rodovia no condado de Dorset para os Jogos Olímpicos de
Londres-2012, arqueólogos vinham tentando desvendar o mistério da
identidade daqueles ossos e por que os crânios estavam separados do
restante dos corpos.
"Havia muito pouca evidência no local, além de alguns cacos de cerâmica. Para descobrir a data daqueles restos mortais nós enviamos uma amostra dos ossos para uma datação por carbono e espantosamente a data que retornou é do final do período saxônico", disse o arqueólogo David Score, que liderou a equipe do instituto de arqueologia britânico Oxford Archaeology, que desenterrou as ossadas.
A partir do teste do carbono-14, os cientistas concluíram que aquelas pessoas foram mortas entre os anos 910 e 1030.
Nessa
época, os anglo-saxões sofriam com as constantes incursões de povos
vikings na Grã-Bretanha e conflitos entre líderes dos dois lados por
controle da região eram comuns.
"O local do enterro era comumente usado para execuções naquela época", acrescenta Score. A dúvida que permanecia, portanto, era se os executados eram saxões ou vikings.
Análise dentária
Mas
as análises dos dentes de dez daquelas ossadas mostraram que aquelas
pessoas cresceram em países de clima mais frio do que o britânico.
Os
cientistas descobriram isso a partir da composição do esmalte dos
dentes, influenciada pela água que a pessoa ingeriu quando criança.
O Laboratório de Geociências de Isótopos (NIGL) da agência geológica britânica explica que os países escandinavos, como Noruega e Suécia, possuem um clima mais frio do que a Grã-Bretanha, o que gera um tipo distinto de assinatura dos isótopos no esmalte dos dentes.
Os
estudos também mostraram que os donos daquelas ossadas tinham uma
alimentação rica em proteínas, que se assemelha a de povos da Suécia
"Trata-se
de uma descoberta fantástica. É o maior grupo de estrangeiros que nós
já identificamos usando isótopos", disse Jane Evans do NIGL.
"Descobrir que os jovens homens executados eram vikings é uma novidade eletrizante", disse Score.
Execução
Com
base nas cerâmicas encontradas na cova, os arqueólogos suspeitaram
inicialmente que as ossadas datavam de um período entre 800 a.C. e 43
d.C., ou seja, entre a Idade do Ferro e o início da era romana.
Mas os exames do Carbono-14 provaram que os restos mortais eram muito mais recentes.
Os cientistas sabem também que a maioria dos ossos pertencia a adolescentes e jovens, que seriam altos e teriam boa saúde.
Há também a suspeita de que eles tenham sido mortos ou enterrados nús, porque não há vestígio de roupas ou adornos na cova.
A
forma como suas cabeças foram separadas de seus corpos revelou que
eles não foram executados com um machado apropriado para a tarefa, que
faria a decaptação em um único golpe. As vítimas teriam sido mortas com
sucessivos golpes de espada.
Fonte: BBC/Daily Mail




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