
Ao contrário do que supunha a arqueologia brasileira, os caçadores-coletores da Tradição Umbu não foram os únicos habitantes das áreas de encosta na região de Tubarão (SC) – entre a planície litorânea e o planalto – no período pré-colonial.
O mapeamento de mais de 200 sítios e a análise de quase 40 mil peças, feitos pelo Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia, da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), mostrou que a região abrigou diferentes culturas.
Segundo
a arqueóloga Deisi Scunderlick, coordenadora do grupo que percorreu
uma grande extensão de terras durante dois anos, habitaram a região
grupos pré-ceramistas (caçadores-coletores da Tradição Umbu) e
ceramistas (Tupi-Guarani e Jê, tronco linguístico que deu origem aos
Kaingang e Xokleng).
“O
material lítico coletado remete à Tradição Umbu, mas os assentamentos
escavados indicam grupos mais estáveis, possivelmente os Jê, que
chegaram à encosta muito depois dos caçadores-coletores da Tradição
Umbu”, diz Scunderlick.
Isso
confirma o que ela supunha desde que começou a decifrar os caminhos do
homem pré-colonial pela mata atlântica, tema de sua tese de doutorado,
defendida em 2005 na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do
Sul, sob orientação do arqueólogo Pedro Ignácio Schmitz (ver ‘Linha do
tempo’).
Ao levar adiante suas
pesquisas na região, Scunderlick começou a pôr em dúvida o que era dado
como certo até então: que a encosta era apenas um local de transição
para os povos que circulavam entre o litoral e a serra.
“Essas pesquisas não esclareceram aspectos cronológicos e culturais, uma vez que não escavamos nem datamos nenhum dos sítios mapeados”, ressalta a pesquisadora.
“Essas pesquisas não esclareceram aspectos cronológicos e culturais, uma vez que não escavamos nem datamos nenhum dos sítios mapeados”, ressalta a pesquisadora.
Agora,
porém, depois de mapear quase toda a região, analisar sítios e peças
já catalogados e descobrir novos sítios, ela sustenta que as áreas
mapeadas são parte de uma grande teia de assentamentos espalhados entre
o litoral e o planalto catarinense.
“Em
coletas de superfície e escavações pontuais, observamos um grande
complexo de aldeias, com vários conjuntos de estruturas habitacionais,
cerimoniais e laborais, todas providas de vestígios arqueológicos.”
Para
dar ideia da densidade populacional da região na pré-história,
Scunderlick estima que, em 15 sítios identificados em uma área de apenas
4 km2 no município de Rio Fortuna, por exemplo, cada um com cinco ou
seis manchas de ocupação humana, viviam aproximadamente 1.500 pessoas.
Hoje, a população de Rio Fortuna não vai além de 4.500 habitantes.
A grande quantidade de material lítico encontrado nas coletas de
superfície corrobora a tese de que a densidade populacional da região
era elevada no período pré-colonial.
Quase 20 mil peças já haviam sido catalogadas em trabalhos anteriores e outras 20 mil foram encontradas pela equipe de Scunderlick ou por habitantes da região que trabalham na terra. Todo esse material foi analisado pelo grupo da Unisul.
Linha do tempo
Os vestígios materiais mais antigos de Santa Catarina, com cerca de 10.500 anos, estão localizados no extremo oeste do estado e se referem a povos caçadores-coletores (ou forrageadores) da Tradição Umbu e Humaitá que habitavam o planalto.
A arqueologia costuma denominar Tradição uma cultura material não identificada como pertencente a uma etnia específica. Muitos pesquisadores preferem usar o termo tecnologia em vez de tradição, já que a palavra é empregada para se referir a uma forma de produção de artefatos.
Vestígios datados de 8.500 anos no litoral referem-se a pescadores-coletores ou sambaquieiros (que construíam e demarcavam seu território com conchas).
Na encosta, vestígios da Tradição Umbu remontam ao período que se estende entre 800 d.C. e 1700 d.C. aproximadamente. Indícios dos Jê datam do ano 1000. Dos Tupi-Guarani, há datações de sua presença no litoral catarinense por volta de 1400.
A encosta apresenta vestígios de quase todos esses grupos, com exceção dos sambaquieiros. Assim, ressalta a arqueóloga Deisi Scunderlick, o território catarinense foi ocupado na pré-história por vários grupos étnicos, com diferentes culturas.
Quase 20 mil peças já haviam sido catalogadas em trabalhos anteriores e outras 20 mil foram encontradas pela equipe de Scunderlick ou por habitantes da região que trabalham na terra. Todo esse material foi analisado pelo grupo da Unisul.
Linha do tempo
Os vestígios materiais mais antigos de Santa Catarina, com cerca de 10.500 anos, estão localizados no extremo oeste do estado e se referem a povos caçadores-coletores (ou forrageadores) da Tradição Umbu e Humaitá que habitavam o planalto.
A arqueologia costuma denominar Tradição uma cultura material não identificada como pertencente a uma etnia específica. Muitos pesquisadores preferem usar o termo tecnologia em vez de tradição, já que a palavra é empregada para se referir a uma forma de produção de artefatos.
Vestígios datados de 8.500 anos no litoral referem-se a pescadores-coletores ou sambaquieiros (que construíam e demarcavam seu território com conchas).
Na encosta, vestígios da Tradição Umbu remontam ao período que se estende entre 800 d.C. e 1700 d.C. aproximadamente. Indícios dos Jê datam do ano 1000. Dos Tupi-Guarani, há datações de sua presença no litoral catarinense por volta de 1400.
A encosta apresenta vestígios de quase todos esses grupos, com exceção dos sambaquieiros. Assim, ressalta a arqueóloga Deisi Scunderlick, o território catarinense foi ocupado na pré-história por vários grupos étnicos, com diferentes culturas.
Fonte: Ciência Hoje
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