Um
antigo mapa, pintado por índios mexicanos no século XVI, se transformou
em uma peça-chave para conhecer as viagens dos povos mesoamericanos da
América do Norte para a Central, segundo o doutor David Carrasco, da
Universidade de Harvard.
"Cinco
anos de pesquisas e o trabalho de 15 especialistas em história
mesoamericana demonstram que este documento, o Mapa de Cuauhtinchán 2
(MC2), com mais de 700 imagens coloridas, revela algo assim como a
Odisséia e a Ilíada Mesoamericana", disse à Carrasco em uma conversa
telefônica.
"Este mapa revela as
histórias sagradas, as peregrinações, as guerras, a medicina, as
plantas, os casamentos, os rituais e os heróis da comunidade de
Cuauhtinchán, ou seja, o Lugar do Ninho da Águia (hoje no estado de
Puebla, México)", acrescentou.
O
Mapa de Cuauhtinchán mede 109 por 204 centímetros e se pintou sobre
papel amate provavelmente por volta do ano 1540, só duas décadas depois
da conquista espanhola ao México.
A
origem do documento parece ser uma disputa entre os nativos e os
conquistadores sobre a propriedade das terras em Cuauhtinchán e em zonas
divisórias, como resultado do processo de evangelização que começou a
partir de 1527 e que se intensificou em 1530 com o início da construção
do primeiro convento nessa localidade, que aparentemente levou ao
desmantelamento do templo indígena.
"A história começa em uma cidade sagrada sob ataque e segue com o povo
de Aztlán que vem resgatar a cidade e que, como recompensa, recebe
sabedoria divina para viajar uma grande distância até encontrar sua
própria cidade na terra prometida", explicou Carrasco.
Essa cidade sagrada e a terra originária de Aztlán estariam no que hoje é o sudoeste dos Estados Unidos.
O
doutor Ramón del Castillo, poeta e diretor do Centro de Estudos
Chicanos na Universidade Metropolitana de Denver (MSCD) afirma que "o
Mapa de Cuauhtinchán revitalizou o conceito de Aztlán (como terra
original dos antepassados dos mexicanos) e essa idéia já não é um mito
mas uma realidade".
A equipe
continua estudando os objetos sagrados e as numerosas plantas que
aparecem no mapa. "Este mapa é um tesouro para os acadêmicos porque
revela com esplendor artístico e em detalhe a maneira de viver de uma
comunidade indígena que expressou sua própria narrativa no meio de um
sério conflito social", concluiu.

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